A Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) emitiu uma nota pública de repúdio e solidariedade diante da morte da filha recém-nascida de Yuana Hara, jovem do povo indígena Kraunã. A organização denuncia graves práticas de violência obstétrica, negligência médica e violação de direitos humanos ocorridas no Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia (AL).
A entidade tomou conhecimento do caso na última segunda-feira (8 de junho). Grávida de nove meses de sua primeira filha, Yuana deu entrada na unidade hospitalar no dia 31 de maio.
Relatos de negligência e violência no atendimento
De acordo com informações repassadas por familiares e testemunhas que acompanharam o caso, o atendimento foi marcado por sucessivas falhas e condutas incompatíveis com a ética médica e a assistência humanizada ao parto.
Entre as principais denúncias apontadas pela família estão:
Omissão de informações: O médico plantonista teria omitido o real estado de dilatação da paciente desde o momento da admissão.
Falta de consentimento: Procedimentos teriam sido realizados sem a autorização da gestante, ignorando seus relatos e pedidos.
Tratamento desrespeitoso: Relatos apontam para uma postura hostil do profissional em relação à mãe, aos familiares e aos próprios colegas de plantão.
Intervenções indevidas: A adoção de condutas inadequadas culminou no desfecho trágico da morte da recém-nascida.
Racismo institucional e direitos humanos
Para a coordenação da APOINME, o episódio reflete uma realidade mais ampla e cruel que afeta a população originária do país.
"A violência obstétrica é uma grave violação dos direitos humanos das mulheres e não pode ser naturalizada. Quando essa violência atinge mulheres indígenas, ela se soma ao racismo estrutural e institucional que historicamente dificulta o acesso dos povos indígenas a uma saúde digna, intercultural e de qualidade", destaca a nota.
Pedido de justiça e investigação
Diante da gravidade dos fatos, a articulação exige que as autoridades e órgãos competentes realizem uma investigação rigorosa, transparente e célere para a devida apuração das responsabilidades cíveis, criminais e administrativas.
A organização cobra que a família tenha amplo acesso à verdade e à reparação, e que o Estado adote medidas efetivas para impedir que novas famílias percam seus filhos por negligência ou omissão no sistema de saúde.
A APOINME encerra o documento manifestando profunda consternação e solidariedade a Yuana Hara, à sua família e a todo o povo Kraunã neste momento de luto.

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