O mistério sobre a intoxicação em massa ocorrida em uma feira livre no município de Pariconha começou a ser esclarecido. Exames laboratoriais realizados pela Polícia Científica de Alagoas identificaram a presença da substância metomil nas amostras biológicas coletadas dos afetados.
O resultado foi confirmado pelo delegado regional do Alto Sertão, Dr. Rodrigo Rocha Cavalcanti, após comunicação do perito-geral Cleber Santana. A substância, um defensivo agrícola altamente tóxico, já foi detectada no organismo do homem que faleceu e em dois sobreviventes. Outros quatro exames seguem em análise e devem ser concluídos nos próximos dias.
Entenda o caso e a substância identificada
O caso ocorreu no espaço da tradicional feira livre da cidade, onde sete pessoas passaram mal simultaneamente após consumir produtos comercializados em uma banca local. A suspeita principal recai sobre a bebida artesanal conhecida regionalmente como "Rapa de Pau".
A exposição ao veneno causou a morte de Gilberto Alves Vicente, de 36 anos. As outras seis vítimas foram socorridas e encaminhadas em estado grave ao Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia, onde receberam atendimento de urgência.
O que é o Metomil?
Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um pesticida extremamente perigoso, o metomil pertence à classe dos carbamatos — ingrediente frequentemente encontrado em defensivos ilegais como o "chumbinho". A substância ataca diretamente o sistema nervoso central, podendo provocar:
Náuseas e vômitos intensos
Tremores e espasmos involuntários
Insuficiência respiratória aguda
Paralisia muscular e parada cardiorrespiratória
Avanço das investigações policiais
Com a identificação do agente químico, a Polícia Civil de Alagoas (PCAL) direciona os trabalhos para determinar como o inseticida entrou em contato com os alimentos ou bebidas servidos ao público.
O delegado distrital de Pariconha, Dr. Eduardo Marques, já colheu o depoimento de quatro vítimas que receberam alta hospitalar e identificou o comerciante responsável pela barraca. O suspeito será interrogado para esclarecer o manuseio dos produtos.
A polícia trabalha com diferentes hipóteses para a contaminação, entre elas:
Erros de manipulação: uso inadequado de embalagens reutilizadas que continham restos do pesticida.
Matéria-prima contaminada: utilização de plantas que tenham recebido dosagem excessiva ou inadequada do produto agrícola.
Negligência, imprudência ou ato intencional: apuração sobre o grau de responsabilidade do comerciante.

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