A perícia do Laboratório de Química e Toxicologia Forense de Alagoas identificou a substância responsável pela contaminação que causou a morte de uma pessoa e deixou outras seis gravemente doentes no município de Pariconha. Os laudos técnicos confirmaram a presença de metomil — um defensivo agrícola altamente tóxico — em uma garrafa PET de dois litros apreendida pelas autoridades.
O incidente ocorreu no último domingo (26), durante a feira livre da cidade, quando diversas pessoas começaram a passar mal após consumirem bebidas no local. A rápida intervenção da Guarda Civil, da Polícia Militar e da Vigilância Sanitária evitou que novos casos ocorressem. Na ocasião, as equipes recolheram quatro garrafas da bebida artesanal conhecida como "rapa de pau" (infusão tradicional de ervas, cascas e raízes em álcool), além de amostras de alimentos.
Segundo os exames repassados aos delegados responsáveis pelo caso, Dr. Rodrigo Rocha Cavalcanti e Dr. Eduardo Marques, a substância nociva foi encontrada exclusivamente na garrafa PET de dois litros. As demais garrafas de vidro e os alimentos analisados não apresentavam traços do inseticida.
Perigo extremo e ação no organismo
O metomil é enquadrado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na categoria de defensivos agrícolas de máxima periculosidade. Trata-se de um composto da classe dos carbamatos — frequentemente utilizado na composição ilegal do inseticida conhecido como "chumbinho".
De acordo com os peritos criminais, a substância atua de forma severa no sistema nervoso central. Quando ingerida, pode provocar sintomas imediatos como náuseas intensas, tremores, insuficiência respiratória grave e paralisia muscular generalizada, condição que levou uma das vítimas a óbito.
Hipótese de contaminação e próximos passos
Com o laudo pericial em mãos, a Polícia Civil de Alagoas (PCAL) avança para a fase final do inquérito policial. Diversas testemunhas e vítimas já foram ouvidas para esclarecer a dinâmica da preparação e venda da bebida.
Uma das principais linhas de investigação aponta para a possibilidade de reutilização inadequada da embalagem, na qual a garrafa PET originalmente usada para armazenar o agrotóxico teria sido reaproveitada para envazar a bebida artesanal sem a devida higienização ou descontaminação.
Assim que a instrução do inquérito for concluída, o relatório final será remetido ao Poder Judiciário para a adoção das medidas cabíveis.

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