Um homem de 25 anos, identificado pelas iniciais I. P. da S., foi preso em flagrante pela Polícia Militar na Rua dos Guararapes, no bairro Pedra Velha, em Delmiro Gouveia, após descumprir uma Medida Protetiva de Urgência e ameaçar de morte a sua própria mãe, de 50 anos. A ocorrência, registrada na última quarta-feira (24/06), mobilizou guarnições locais e foi marcada por intensas cenas de resistência, desacato e autoflagelação por parte do autor.
A Polícia Militar de Alagoas (PMAL) foi inicialmente acionada via Centro de Operações Policiais Militares (COPOM) para averiguar uma denúncia registrada como ameaça. Ao chegarem ao endereço indicado, os policiais foram recebidos pela vítima, R. E. P., que relatou que o filho havia violado a ordem judicial de afastamento e ido até a sua residência para proferir ameaças. Segundo a mãe, o jovem é amplamente conhecido pela Justiça e pelas forças de segurança regionais, acumulando diversas prisões recentes.
Após uma ronda preventiva pelas imediações, a guarnição retornou à casa da vítima e flagrou o suspeito em frente ao imóvel. Visivelmente alterado e exaltado, o homem gritava ameaças de morte contra a genitora, afirmando que sabia onde ela morava e que retornaria ao local para assassiná-la.
Resistência, Uso de Força e Ameaças à Polícia
Diante do flagrante delito, os militares deram ordem de prisão ao suspeito, que desobedeceu reiteradamente aos comandos legais. Para conter a agressividade do indivíduo e garantir a integridade física de todos os presentes, os policiais precisaram fazer uso tático de spray de pimenta e algemas.
Mesmo imobilizado, I. P. da S. passou a desferir insultos homofóbicos e palavras de baixo calão contra a guarnição, chamando os policiais de “merdas” e “viados”. O agressor também tentou intimidar a equipe policial com ameaças diretas: afirmou que estava gravando a fisionomia de cada integrante da equipe e que, assim que ganhasse a liberdade, perseguiria todos eles.
Relatos colhidos no local pela equipe policial apontam ainda que, na noite anterior ao crime, o jovem foi visto portando uma faca e perseguindo um morador da região. Ele já apresentava escoriações no corpo decorrentes de brigas e agressões físicas sofridas recentemente nas ruas.
Autoflagelação e Recusa de Atendimento no Hospital
Devido ao estado de agitação e à presença de ferimentos prévios, o detido foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 Horas para a realização do exame de corpo de delito e assistência médica. No local, o comportamento hostil se intensificou. O homem começou a ameaçar funcionários e pacientes, alegando ser integrante de uma facção criminosa. Em um ato de desespero, jogou-se deliberadamente contra o chão, provocando o rompimento de sua própria bolsa de colostomia.
A mãe do autor informou aos policiais que o equipamento deveria ser higienizado e substituído a cada três dias, contudo, o filho já vagava pela região há quatro dias sem realizar a troca, sem se alimentar devidamente, consumindo entorpecentes e gerando conflitos com vizinhos e familiares.
Para resguardar a saúde do preso, a PM o conduziu imediatamente ao Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS) para que o procedimento cirúrgico-ambulatorial de substituição do material fosse executado. Todavia, o jovem ofereceu extrema resistência física e recusou-se terminantemente a descer da viatura. Em tom de deboche, o acusado declarou expressamente que não trocaria o material e que preferia ficar "esculhambado" fisicamente para sensibilizar o Poder Judiciário e obter a liberdade provisória de forma mais fácil.
Mesmo diante da falta de colaboração e da resistência que sabotou parte dos exames e curativos médicos — fato oficialmente formalizado e registrado no prontuário médico —, a vítima também passou por exames periciais de corpo de delito para salvaguardar o andamento processual.
Por fim, todas as partes foram apresentadas na Delegacia Regional de Polícia Civil para a lavratura dos procedimentos cabíveis baseados na Lei Maria da Penha e no descumprimento de ordem judicial. Conforme repassado pela Polícia Civil, o número do Auto de Prisão em Flagrante (APF) será formalizado pelo escrivão plantonista. O acusado permanece detido à disposição da Justiça.

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